A intenção deste espaço é informar e estimular a discussão, através dos artigos postados, sobre assuntos atuais de Política, Justiça, Direito Penal e Processo Penal, tanto ao profissional do Direito quanto aos leitores leigos. Desejo-lhes uma ótima leitura.
Suaviter in modo, fortiter in re
(suave nos modos e firme nos propósitos)

terça-feira, 10 de maio de 2016

Militância na Advocacia Criminal - O “Preso” e a Família



Durante minha militância na advocacia criminal, convivi com várias pessoas. Algumas tive o prazer de conhecer, outras nem tanto. 

Foram clientes, familiares dos clientes, familiares das vítimas, policiais militares, policiais civis, profissionais da justiça, Juízes, Promotores, Delegados, enfim, profissionais de todos os tipos, assim como pessoas de todos os tipos.

Em relação aos clientes, em sua grande maioria pessoas que encontravam-se presas por algum motivo, minha curiosidade sempre me levou a questionar, entender, ou tentar entender o que leva um cidadão a cometer um crime e o que leva um cidadão a ingressar na vida criminosa. O que move essa pessoa?

Primeiro, há que se determinar uma diferença entre uma pessoa que comete um crime e aquela que ingressa na vida criminosa.

O primeiro agente é aquela pessoa que não tem nenhuma “passagem”, geralmente é conhecida por ser “pessoa de bem”, e que por algum motivo comete um crime. Inúmeros poderiam ser os exemplos, contudo citarei apenas três a título de ilustração: 1º) Um cidadão que bebe, dirige e mata outra pessoa; 2º) aquele que se envolve em uma discussão boba, perde a cabeça e agride (ou mata) o outro; 3º) um funcionário público que por um momento de “bobeira” se apropria indevidamente de um bem ou dinheiro que pertence ao Estado. 

 Para esse tipo de pessoa, independente do crime que cometeu, com certeza será o único. Ou seja, é uma pessoa que tem consciência que seu ato foi criminoso, que por isso deverá suportar uma pena, e que após cumprir a pena não voltará a reincidir – cometer novo crime.

Pelas próprias particularidades dessas pessoas (consciência de que o ato que cometeu é um crime aliado ao fato de não possuir antecedentes criminais, nem conduta desabonadora perante a sociedade) esses “tipos” de “criminosos” são a minoria perto da outra classe, daqueles que ingressam na vida criminosa.

Este último é o que exige uma maior atenção, pois como explicado anteriormente, o primeiro agente (que comete um crime) pode ser qualquer um de nós. Esse agente está na média da sociedade, em geral é bem quisto e o ato criminoso que cometeu causa grande “assombro” na sociedade.

Já em relação àquelas pessoas que ingressam na vida criminosa, devemos partir do pressuposto que após cometer o primeiro crime, continua a cometer outros crimes. 

O que difere este agente do primeiro (uma pessoa que comete um só crime) é justamente a falta de consciência média, ou seja, é não se importar se o ato que cometeu é crime ou não, bem como, se tal ato fere ou agride outra pessoa de alguma forma.

E aqui eu chego ao ponto que desejava.

O que move essa pessoa?

Ganância? Necessidade? Ruindade? Falta de oportunidades? etc etc etc

???

Óbvio que o tema é questão para desenvolver um Mestrado ou Doutorado, tamanha a complexidade e as questões que envolvem os agentes que cometem crimes de forma reiterada. Contudo não é este o intuito do presente artigo. Desejo apenas partilhar experiência e conclusão.

Em minhas várias visitas a clientes presos, pude questioná-los diretamente sobre o tema. Alguns dizem não saber o porquê comete um crime, depois sai da prisão e volta a cometê-los. Outros dizem que é “falta de oportunidade”, outros que é para manter o “padrão” de vida, outros que é para manter o vício, outros que é pela adrenalina, outros porque não arruma trabalho, e assim vão-se as explicações.

Em que pese ser jurídica minha formação acadêmica, para chegar a um ponto em comum entre os agentes foi necessário aliar a essa formação acadêmica, a minha formação espiritual.

Bacharel em Direito, pós-graduado em Direito Penal e Processo Penal, pós-graduando em Direito do Trabalho e Processo do Trabalho, mas antes de tudo, Católico, Batizado, Crismado e Cursilhista com muito orgulho e Fé.

Em sendo assim, não é possível analisar o “preso” somente em seus aspectos jurídicos. Faz-se necessário analisá-lo também do ponto de vista “humano”.

Puxando o “fio da meada”, pude chegar a um ponto em comum entre estes agentes: a Família. Ou melhor, a falta da Família.

E quando digo família não estou me referindo aquele conjunto formado por uma pessoa que tem pai, mãe, irmãos etc 

Eu digo família de família mesmo. Laços familiares. Pais que cobram, dão carinho, atenção e se fazem presentes na vida do filho.

98% das conversas com os presos que ingressaram na vida criminosa e cometem vários crimes, um após o outro, em algum momento se direcionam ao mesmo caminho, ao mesmo assunto, a família.

Percebo que aquele criminoso ali na minha frente se transforma quando fala de sua família. Com mágoa, angustia, remorso, raiva, saudade, arrependimento, preocupação, enfim, quando tocados a falar de sua família, sua infância, seus pais etc, por vezes aqueles homens que cometeram até crueldades com outro ser humano, são capazes de chorar.

Aí você leitor pode dizer:-

“Mas eu conheço várias pessoas que não tem pai, ou não tem mãe, ou não tem ninguém e que não virou criminoso”

Sim. É possível, eu concordo. Acredito que uma pessoa que não tem ninguém por ela pode seguir o caminho do bem. Mas penso que não chega a 1% da população.

Se pesquisar a fundo, verá que essa pessoa que “não tem pai, ou não tem mãe, ou não tem ninguém por ela”, tinha alguém sim.

Tinha uma pessoa próxima, um parente, um professor, um educador, um vizinho, seja quem for, essa pessoa que escapou da vida criminosa tinha alguém que lhe deu atenção, carinho, cobrou, direcionou ao caminho correto e a transformou em um cidadão de bem.

Quando digo que para cerca de 98% dos presos faltou a família, estou me referindo a Família como o berço da formação de regras, princípios e valores.

Se houvessem mais famílias preocupadas em educar seus filhos com regras, princípios e valores, atrelados ao carinho, atenção e amor, com certeza nossas penitenciárias estariam quase, senão totalmente vazias.

Valores e princípios que, ao se perderem ao longo do tempo, abriram espaço para a falta de oportunidade, para o consumo desenfreado de bens, para os vícios da vida moderna, para a necessidade de “adrenalina” de um roubo ao invés daquela proporcionada através de um esporte, para a falsa busca nas drogas, de tudo aquilo que não se tem em casa ... etc

Amigo leitor, se você chegou até este ponto do texto tendo em vista que teve que acessar o meu blog para continuar sua leitura, tenho para mim que você pode fazer a diferença neste mundo em que vivemos.

Olhe para o seu lado, se a sua família é bem estruturada, seus filhos, sua esposa são pessoas de bem, parabéns! Infelizmente você é uma exceção neste mundo em que vivemos e sua família não precisa de sua ajuda.

Mas ainda assim você pode fazer a diferença na vida de alguém. Nós como sociedade, podemos atuar de forma a diminuir a criminalidade agindo dentro de nossos ambientes.

Novamente lhe digo, olhe para o lado. Com certeza alguma pessoa precisa de uma atenção, uma palavra amiga, um conselho, um carinho, um abraço, um direcionamento. Necessariamente não precisa ser um estranho. Procure dentro dos seus círculos. Alguém precisa de você.

Daí novamente o amigo leitor pode questionar:-

“Mas como isso vai fazer a diferença a ponto de diminuir a criminalidade?”

Eu lhe digo, se todos se voltarem para os seus círculos de amizade, família, trabalho etc (prefiro chamar de ambientes) e começarem a fazer a diferença, ainda que na vida de uma só pessoa, essa atitude irá se multiplicar. Você ajuda o João, o João ajuda o Caio e a Júlia, o Caio ajuda a Maria, a Andressa e a Márcia ... e assim vai. 

Seja você a “família” de outra pessoa.

Ensine para alguém regras, princípios e valores e distribua carinho, atenção e amor.

Se durante toda nossa vida pudermos fazer a diferença na vida de uma só pessoa, com certeza estaremos mudando e transformando o mundo em que vivemos.

Não desista do “ser humano”. Nunca!

+

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Desenvolvimento de Uma Consciência Política: Principais Crimes Eleitorais



Nas edições anteriores, a fim de despertar uma consciência política, levamos ao conhecimento dos amigos leitores algumas das atribuições e reais funções dos cargos de Vereador e de Prefeito Municipal.

Ainda no campo da política, uma vez que estamos em ano de eleições, abordaremos hoje um pouco sobre os crimes eleitorais mais comuns.

Encontra-se disponível no glossário do site eletrônico do Tribunal Superior Eleitoral a definição de crime eleitoral como sendo “condutas levadas a efeito durante o processo eleitoral e que, por atingirem ou macularem a liberdade do direito de sufrágio, a lei as reprimiu, infligindo a seus autores uma pena”.

A ação penal para apuração de crime eleitoral é pública incondicionada, cuja iniciativa cabe privativamente ao Ministério Público Eleitoral. Contudo, em havendo inércia do Ministério Público, poderá excepcionalmente ser proposta ação penal privada subsidiária da pública.

Os Juízes Eleitorais são os competentes para processar e julgar os crimes eleitorais e os conexos, ressalvada, em alguns casos, a competência originária dos Tribunais Regionais Eleitorais e do TSE.

Desde que atendidos os requisitos legais, a Legislação prevê em relação aos crimes eleitorais de menor potencial ofensivo, a possibilidade de adoção da transação penal e da suspensão condicional do processo.

As infrações penais eleitorais estão tipificadas no Código Eleitoral. Nos arts. 289 a 310 do Código Eleitoral preocupa-se o legislador em coibir condutas que possam tumultuar ou obstar os procedimentos relativos ao alistamento eleitoral, e nos artigos 295 a 310 busca-se tutelar a plena liberdade de escolha, exercida através do voto.

  OS CRIMES ELEITORAIS MAIS COMUNS SÃO:

Relacionados à formação do corpo eleitoral: Inscrição fraudulenta de eleitor; Induzimento à inscrição de eleitor em infração às normas legais; Inscrição fraudulenta efetivada pelo juiz; Negativa ou retardamento de inscrição eleitoral e Retenção de título eleitoral contra a vontade do eleitor.

Sobre formação e funcionamentos de partidos políticos: Subscrição de mais de uma ficha de registro de partido; Inscrição simultânea em dois ou mais partidos; Coleta de assinaturas em mais de uma ficha de registro de partido; Utilização de prédios ou serviços de repartições públicas para beneficiar partido ou organização de caráter político.

Relacionados a Propaganda eleitoral: Divulgação de fatos inverídicos; Calúnia, difamação e injúria; Impedimento do exercício da propaganda; Participação de pessoa não detentora de direitos políticos em atividades partidárias e de propaganda eleitoral; Pesquisas fraudulentas; Irregularidades nos dados publicados em pesquisas eleitorais; Realização de propaganda eleitoral no dia da eleição.

Relativos à votação: Compra de votos; Impedimento ou embaraço ao direito de voto; Prisão ou detenção de eleitor, integrante de mesa receptora, fiscal, delegado de partido ou candidato fora das hipóteses legais permitidas; Coação ou uso de violência para obter voto em determinado candidato ou abstenção; Fornecimento ao eleitor de cédula oficial já assinalada ou marcada (para o caso de votação em papel, na ausência de urna eletrônica); Votação múltipla ou realizada em lugar de outro e Violação do sigilo de voto.

Amigo leitor e eleitor, desenvolva sua consciência política e nas próximas eleições valorize seu voto. Vote consciente.