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Suaviter in modo, fortiter in re
(suave nos modos e firme nos propósitos)

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O uso de películas em veículos é garantia de segurança?

O percentual de visibilidade das películas usadas em vidros de automóveis, o conhecido “insulfilm”, acaba de ser revisto pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Agora os proprietários podem escurecer os vidros de seus veículos em até 28% de visibilidade, (antes era de até 50%). Porém, tal alteração só se aplica ao vidro traseiro e as laterais da parte de trás do carro, sendo que os vidros da frente devem continuar com o mesmo índice de visibilidade (75% no pára-brisa e 70% nos vidros laterais do motorista e do passageiro).
Tal revisão tem por base, segundo o Denatran, atender a uma solicitação da coletividade, que clamava por segurança.
Minha opinião é de que nada muda.
Se a finalidade do assaltante for a de furtar um carro, primeiramente ele se certificará de que não há ninguém dentro do veículo, por exemplo, apenas encostando-se em algum local, e observando.
Se a finalidade do agente for a de roubar o veículo, muda-se o “modus operandi”, porém o resultado será o mesmo, o agente leva o carro e, se a vítima tiver sorte, não morre. Daí então você perguntaria: “Como assim?” Explico.
A grande maioria dos roubos de veículos acontece da mesma maneira. Com o delinqüente abordando a vítima, ou no sinal de trânsito, ou quando a mesma está chegando ou saindo de sua residência. E o uso da película nessa situação, pouco ajuda, pois, abordando a vítima em um sinal de trânsito, o agente se aproxima, ou pela frente do carro (cuja visibilidade é de 75%), ou pela lateral (cuja visibilidade é de 70%). É incontestável a facilidade de se visualizar o motorista e o passageiro com esse nível de visibilidade. Portanto, a película não é fator inibidor à ação do assaltante.
No caso de o assaltante abordar a vítima, que está saindo ou chegando de sua residência, em geral ele espera ela descer do automóvel (para abrir ou fechar o portão, por exemplo) para lhe dar voz de assalto. Também neste caso, a película em nada ajuda.
Minha conclusão, portanto, é de que o uso de películas em vidros de veículos não é garantia de segurança, haja vista que o nível de visibilidade autorizado em lei, não garante a privacidade do condutor do veículo. Seria plausível que o Contran autoriza-se um nível menor de visibilidade nos vidros laterais dianteiros, e no vidro da frente (pára-brisa), o que consequentemente, escureceria ainda mais o interior do veículo, proporcionando assim, uma "aparente" segurança ao motorista, que, aos olhos do assaltante, não estaria visível.
Além do mais, iria se regular a prática já existente, daqueles que, por serem "artistas", jogadores de futebol, enfim, pessoas influentes, fazem uso da película totalmente escura, desfilando em seus carrões protegidos pelo anonimato.
Diante disto, paira a impressão de que somente quem ostente certa "posição social", pode usar uma película totalmente escura. E daí fica a pergunta: Onde está a igualdade de direitos que prega a nossa Constituição Federal?
Hoje é inegável a existência de duas situações distintas; em geral, um policial não manda um carro "filmado" parar em uma blitz, se for importado, em contra partida, se esse mesmo policial avistar um Fiat 147, com os vidros escuros...rsrsrs... não é necessário terminar, não?
Está aberta a discussão. O tema é deveras polêmico, por isso sua opinião é bem vinda.

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